Andei vadiando em alguns blogs vc vê cada coisa linda, é impossivel não querer repassar pra vcs. A poesia é ilimitada, ela trancede seu ser, assim como a música, ai de mim se não fossem esses poetas maravilhosos, que narram minha vida sem me conhecer. Vale a pena.
Anda em mim soturnamente,
uma tristeza, ociosa,
sem objetivo, latente,
vag, indecisa, medrosa.
Como ave torta e sem rumo,
ondula, vagueia, oscila
e sobe em nuvens de fumo
e na minh'alma se asila.
Uma tristeza que eu , mudo,
fico nela meditando, por tudo
e em toda parte sonhando.
Tristeza de não sei donde,
de não sei quando nem como...
flor mortal, que dentro esconde
sementes de um mago pomo.
Dessas tristezas incertas,
esparsas, indefinidas...
como almas vagas, desertas
no rumo eterno das vidas.
Tristeza sem causa forte,
diversa de outras tristezas,
nem da vida nem da morte
gerada nas correntezas...
tristeza de outros espaços,
de outros céus, de outras esferas,
de outros límpidos abraços,
de outras castas primaveras.
Dessas tristezas que vagam
como volúpias tão sombrias
que s nossas almas alagam
de estranhas melancolias.
Dessas tristezas sem fundo,
sem origens prolongadas,
sem saudades desse mundo,
sem noites, sem alvoradas.
Que principiam no sonho
e acabam na realidade,
através do mar tristonho
desta absurda imensidade.
Certa tristeza indizível,
abstrata, como se fosse
a grande alma do sensível
magoada, mística, doce.
AH! Tristeza imponderável
abismo, mistério,aflito,
torturante, formidável...
ah! tristeza do infinito!
( Cruz e Sousa)














